palestras 8ª edição

Saiba mais sobre nossas convidadas e nosso convidado para o ciclo de palestras:

Beto Figueiroa (PE): Passou parte da infância na histórica cidade de Goiana, Mata Norte de Pernambuco. Foi criado por uma mulher cega. Mãe Ná, sua avó, morreu em 2009 aos 106 anos e sempre foi uma referência não só na conduta de vida como na arte de enxergar. Para o menino Beto, o sentido da visão jamais foi parte essencial para a alegria. O jeito de ver as coisas se construiu de maneira diferenciada – bem provavelmente pela força dos ensinamentos de Mãe Ná, que jamais o viu, mas o acompanhou de perto, desde o início de sua carreira como fotógrafo. Com trabalho reconhecido pelas principais premiações do fotojornalismo nacional, como Vladimir Herzog, Caixa e Ayrton Senna, Beto participou de exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, além de inúmeras publicações em livros e revistas. Em 2007, esteve entre os dez brasileiros escolhidos pela Fototeca de Cuba e pelo Instituto de Mídia e Arte – Imea (SP) para representar a fotografia brasileira, sendo o mais jovem da seleção na mostra Mirame – uma ventana da fotografia brasileña, em Havana. Em dezembro de 2014, foi eleito o destaque das artes visuais naquele ano pelos leitores do jornal Diario de Pernambuco, com a exposição Morro de Fé, realizada sob o formato de intervenção urbano-artística no Morro da Conceição, comunidade no Recife. Atualmente é repórter fotográfico do mandato do vereador Ivan Morais na Câmara de Vereadores do Recife.

Nair Benedicto (SP): Licenciada em Rádio-TV pela ECA-USP em 1971. O sonho de trabalhar com televisão ficou inviabilizado por ter sido presa política e não poder apresentar atestados de conduta moral exigidos, apesar de ilegais. A Fotografia abriu portas. Com outros fotógrafos, fundou a Agência F4 de Fotojornalismo e Documentação, uma cooperativa que durou 13 anos (de 1978 a 1991) e deixou vários filhotes. O foco principal de seus trabalhos tem sido as questões sociais, a mulher, a criança, particularmente na América Latina, e Ecologia, Amazônia e Indígenas. Ganhou muitos prêmios. Seus trabalhos estão em revistas nacionais e estrangeiras e em vários museus, entre eles: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Museo Nacional de Bellas Artes (Buenos Aires), Smithsonian Museum (Washington) e Museu of Modern Art (MOMA, Nova York).

Marcela Bonfim (RO): Formada em economia pela PUC-SP, a militante pela causa das populações negras e povos tradicionais era outra Marcela até os 25 anos. Ela se considerava uma negra embranquecida, acreditava no discurso da meritocracia; e vestia por cima da pele alguns disfarces para ser aceita. Acreditou em um mundo possível, com portas abertas e livre circulação, sem nenhum impedimento. Mas ela se enganou e foi durante a busca pelo primeiro emprego que o mundo dela ruiu e os disfarces não funcionavam mais, a cor da sua pele agora estava à mostra. Já em Rondônia, para enfrentar sua negritude, Marcela Bonfim comprou uma câmera fotográfica, em 2012, e começou a fotografar homens, mulheres, crianças, jovens e velhos negros e negras na Amazônia em comunidades quilombolas, rituais de terreiros de candomblé, festejos religiosos, penitenciárias. O registro também buscou retratar o negro em seu emprego, na grande maioria exercido em atividades domésticas. As lentes também captaram a resistência pela preservação da cultura e costumes e a beleza da estética negra. A fotografia foi um resgate da própria identidade de Marcela enquanto mulher negra e foi na Amazônia que ela “enfrentou” a cor de sua pele. Em seu trabalho, ela aborda a questão: quanto tempo demora, o negro, para se firmar nesse mundo (in)visível?

Maurício Pokemon (PI): Skatista, artista residente do CAMPO Arte Contemporânea, onde pensa a órbita de artes visuais Estúdio Debaixo. Seu trabalho parte de convívios e memória e transita entre imagens. Desde 2015, colabora com a comunidade Boa Esperança, em Teresina (PI), discutindo a alteridade e a representatividade. É performer-colaborador no Original Bomber Crew, com os trabalhos tReta (2019), Suspeit_ (2020) e Vapor(2021). Ganhador do Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia 2019 (CE) e do Prêmio Décio Noviello de Fotografia 2020 (MG). Participou de várias exposições coletivas, como À Nordeste, no Sesc 24 de Maio (SP, 2019), e Arte, Cidade e Patrimônio: futuro e memória nas poéticas contemporâneas, no Oi Futuro (RJ, 2021). Atualmente pesquisa como o imaginário sobre a Batalha do Jenipapo, que completa 200 anos em 2023, molda e reforça o lugar de herói do nordestino.