De que é feita a fotografia? Que substâncias dão corpo a ela? A fotografia acolhe uma diversidade tão grande de suportes, elementos e processos, que é difícil buscarmos defini-la por sua materialidade. Se o daguerreótipo consiste em uma chapa metálica polida, o digital existe como informação numérica no diáfano mundo das redes virtuais. O papel, que reinou como principal meio para as fotografias por tanto tempo, seja nos álbuns, nas publicações ou na parede, nem de longe alcança a popularidade das telas no compartilhamento e fruição das imagens nos dias de hoje. E nem imaginamos o que está por vir, a despeito das obras de ficção científica que projetam novas incorporações – com o corpo humano mesmo – nesses modos de interagir com as chamadas imagens técnicas (campo inaugurado pela fotografia).
O Pequeno Encontro da Fotografia sempre buscou trazer diálogos que envolvessem a fotografia em suas mais diversas abordagens. Nesta edição, voltamos nossa atenção para obras, autoras e autores que encaram a materialidade e a desmaterialização da fotografia como aspectos importantes de suas produções imagéticas e conceituais. Há aqui um tensionamento e uma complementaridade com muitos debates que já passaram por nossa programação nos anos anteriores. Propomos nomes importantes da produção contemporânea para instigar questões que refletem sobre o fazer fotográfico e expandem nosso entendimento sobre a linguagem.
Eduardo Queiroga, Maria Chaves e Mateus Sá.