Quarta-feira (22/4)
14 h às 17 h – Painel 1
| Apresentação ao vivo pelo YouTube e textos publicados no site do festival (link no título dos trabalhos)
- Olhar de mãe, olhar de filha: fotografia e memória – Julianna Nascimento Torezani (Ilhéus – BA)
Resumo: A possibilidade de olhar o mundo e registrá-lo fotograficamente transmite as emoções das experiências vividas e permite compartilhar reflexões das suas próprias memórias. Pelos fotolivros Não Reagente, de Priscilla Buhr (2024), e Para poder te olhar, de Yêda Bezerra de Mello (2015), temos as experiências de olhares do nascimento e do luto. Assim, este trabalho busca refletir como uma mãe relata sobre sua gravidez, parto e cuidado com o filho e também como uma filha se coloca diante da perda da mãe através de fotografias. Com as ideias de olhar de Achutti (1995), fotografia e tempo de Sontag (2004), memória de Didi-Huberman (2012) e Barros (2017) e direito a olhar de Mirzoeff (2016) foi desenvolvida a pesquisa documental. Constatamos que ao observar os registros documentais e arquivos familiares foi possível olhar o outro, a si e buscar olhares pelas experiências apresentadas nos fotolivros.
Palavras-chave: Fotografia. Fotolivros. Memória. Priscilla Buhr. Yêda Bezerra de Mello.
- Olhar para homens: uma nova linguagem visual – Gabriela Massote (Rio de Janeiro – RJ)
Resumo: Esta pesquisa defende as representações do corpo masculino nu produzidas por artistas mulheres, articulando os estudos das masculinidades às críticas feministas da cultura visual. Argumenta-se que tais imagens não operam como mera inversão especular da lógica fálica, mas instauram novas possibilidades iconográficas. Partindo do embate entre perspectivas materialistas e pós-estruturalistas, analisa-se como a História da Arte, a Fotografia e o Cinema consolidaram regimes de visibilidade que naturalizaram a virilidade masculina. A pesquisa propõe uma inversão da mirada patriarcal ao examinar práticas artísticas que erotizam o corpo masculino sob o ponto de vista do desejo feminino. Discute-se, ainda, a dialética do heterofeminismo e as contradições entre desejo e dominação masculina. Sustenta-se que a vulnerabilidade masculina pode funcionar como brecha crítica no interior do sistema patriarcal. Por fim, defende-se que a ampliação das representações feministas do nu masculino contribui para a construção de novos regimes identitários e para a desestabilização das hierarquias visuais sedimentadas na cultura ocidental.
Palavras-chave: Masculinidades. Olhar feminino. Desejo. Visualidade.
- Lavagem de Cabeça – Alex Hermes (Rio de Janeiro – RJ)
Resumo: Este ensaio explora conceitos como “câmera-corpo” e “cine-transe” como foi suscitado por Jean Rouch no trabalho com as imagens em movimento no qual o pesquisador antropólogo se engaja produzindo imagens de rituais. Aproxima-se das teorias sobre as “técnicas do corpo” em rituais afro-brasileiros, aprofundando a análise da iniciação e da materialidade do sagrado e dos arquivos de imagem/memória, foco do ensaio. Inspirando-se em autores como Marcel Mauss, Tim Ingold, Souty (2011), Rabelo (2011) e Barros & Teixeira (2004), o estudo argumenta que a atenção às técnicas corporais e ao conceito de “correspondência” de Ingold, juntamente com a compreensão do corpo como locus de experiência e conhecimento, pode aprimorar a etnografia com câmera. Apesar do enorme escopo de fenômenos que estão relacionados ao transe nos mais diversos rituais nas religiões afro brasileiras, me detenho sobre uma experiência de pesquisa a qual tenho me dedicado de forma engajada com a câmera na captura de imagens nos terreiros do Pajé Barbosa Pitaguary, no Ceará. As experiências aqui relatadas junto às reflexões teóricas provém deste campo de observação participativa e engajada.
Palavras-chave: Memória. Arquivos. Transe. Ritual.
- Através da imagem: a fotografia como arte contemporânea – Sarah Aquino Barboza e Mariane Rotter (Porto Alegre – RS)
Resumo: O projeto Através da Imagem: A fotografia como arte contemporânea, vinculado ao Núcleo de Fotografia da Uergs, promove ações voltadas à ampliação do repertório prático em processos fotográficos históricos e contemporâneos. Suas atividades incentivam a produção de imagens de forma horizontal, fortalecendo trocas entre comunidades interessadas em fotografia artesanal e artística. Entre as principais ações, destacam-se as oficinas mensais de pinhole realizadas pelo LABi em parceria com a Casa de Cultura Mario Quintana, além de atividades especiais para o Pinhole Day 2025, com construção de câmeras caseiras e produção de imagens. A técnica também foi levada à Escola Municipal de Ensino Fundamental Morro da Cruz, a convite do FestFoto Descentralizado, ampliando o acesso ao conhecimento fotográfico nas periferias. Durante a Semana Acadêmica das Artes da Uergs, foi ofertada oficina de cianotipia, abordando fundamentos químicos e possibilidades pedagógicas, seguida de encontro com a artista visual Ana Sabiá, que apresentou o projeto Madonnas e Fridas: arte e maternidade como agenciamentos políticos. O núcleo participa de eventos acadêmicos da região sul, como o SEURS e o SIEPEX, priorizando o diálogo entre pesquisa, ensino e extensão. Também mantém forte presença virtual por meio dos “Encontros com a Fotografia”, redes sociais e site oficial atualizado. Entre outras participações relevantes, estão o Seminário Processos Fotográficos Históricos: Arte e Educação, promovido pelo Instituto Moreira Salles/RJ, e a exposição Breves (E)n(co)ntro(s) e Algumas Derrubadas, do Grupo de Pesquisa Audiovisual Sem Destino da UFRGS. O ciclo de atividades se completou com a exposição Solarigrafia na Casa de Cultura Mario Quintana, reunindo investigações sobre luz, tempo e paisagem. De modo geral, as ações desenvolvidas mantêm a fotografia ativa dentro e fora da universidade, articulando formação, criação artística e diálogo com a comunidade.
Palavras-chave: Fotografia. Oficinas. Extensão universitária.
19 h às 21 h – Painel 2
| Apresentação ao vivo pelo YouTube e textos publicados no site do festival (link no título dos trabalhos)
- O tecido das imagens: arte têxtil e a fotografia contemporânea – Victa de Carvalho (Rio de Janeiro – RJ)
Resumo: O texto analisa a convergência entre a fotografia e a arte têxtil na produção contemporânea latino-americana, com foco central na obra da artista peruana Ana Teresa Barboza. Sob a perspectiva de uma fotografia experimental e expandida, argumenta-se que essa hibridização desafia as hierarquias da história da arte ocidental, que marginalizou o têxtil como prática menor ou puramente artesanal, e rompe com o modelo hegemônico do dispositivo da fotografia, ancorado em uma visão paisagística perspectivada e racionalista, herdado do Renascimento. Através da análise da série Detrás del Téxtil, demonstramos como a integração de bordados, fios naturais e fotografias de paisagens andinas materializa um giro epistemológico que recusa a proposição de um registro visual neutro e passivo, para se tornar um gesto estético-político que reapresenta ideias como sujeito e natureza, bem como as relações entre imagem e mundo.
Palavras-chave: Fotografia Experimental. Arte Têxtil. Arte latino-americana. Ana Teresa Barboza. Decolonialidade.
- Os sangrados: enquadramentos biopolíticos e cenas de interpelação em fotografias do Fundo Rockefeller – Marcela Barbosa Lins (Belo Horizonte – MG)
Resumo: O artigo analisa fotografias produzidas pela Fundação Rockefeller durante campanhas sanitárias no Brasil (1930-1940), com foco nas imagens dos “sangrados”. A pesquisa, de base qualitativa e documental, identifica nelas não apenas registros técnicos, mas cenas de interpelação que revelam agência, astúcia e auto-elaboração dos fotografados. A metodologia combina história social, análise visual e referenciais teóricos de Judith Butler, Saidiya Hartman, Tina Campt e Jacques Rancière. A discussão mostra como as imagens, embora inscritas em uma lógica biopolítica, evidenciam processos de resistência e gestos que escapam ao estrito controle sanitário. Os resultados apontam que essas fotografias instauram cenas de aparência, habilitando outras leituras sobre a relação entre poder, corpo e visualidade. Conclui-se que, mesmo sob coerção, emergem subjetividades que deslocam a função exemplificadora do arquivo e abrem-se brechas para fabulações e outras histórias das epidemias.
Palavras-chave: Fotografia. Arquivos. Biopolítica. Fabulação crítica.
- Nos silêncios do passado presente resistem os gritos desaparecidos – Eder Martins (São Paulo – SP)
Resumo: O artigo apresenta uma reflexão sobre o processo de construção e edição do fotolivro Nos silêncios do passado presente resistem os gritos desaparecidos, que aborda a questão dos desaparecidos políticos da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985) publicado no final do ano de 2024.
Palavras-chave: Fotolivro. Ditadura. Desaparecidos Políticos.
- A pele da terra: uma lente para uma paisagem – José Afonso Jr. (Recife – PE)
Resumo: Discuto a relação entre fotografia e paisagem no contexto das transformações do semiárido nordestino provocadas pelo avanço das tecnologias de energia “limpa” e pela lógica do Capitaloceno. Apresento o método ASAC (Assunto, Situação, Ajuste e Clique) para refletir o ato fotográfico como escolha técnica, ética e estética, pois a paisagem é entendida como um espaço de acúmulo de memória, identidade e disputa simbólica; e também afetada por políticas de desenvolvimento que alteram os modos de habitar. Apoiado em Benjamin, Ingold, Didi-Huberman, Milton Santos e Ecléa Bosi, propomos que fotografar o Sertão é interpretá-lo e ressignificá-lo. A lente, nesse contexto, ultrapassa o patamar de instrumento técnico e torna-se extensão do olhar no território. Ao fim, propõe uma ética no ato de fotografar que conecte a relação da paisagem com as valências de memória, cultura e pertencimento locais. Palavras-chave: Sertão. Paisagem. Território. Povos nativos. Fotografia documental.
Curadoria
Greice Schneider é professora Associada do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Coordenadora e professora permanente do Programa de Pós Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFS). Líder do Grupo de Pesquisa LAVINT – Laboratório de Análise de Visualidades, Narrativas e Tecnologias (UFS) desde 2016. Co-coordenadora da Rede Grafo – Rede Integrada de Pesquisa sobre Teorias e Análise da Fotografia (RedeGrafo). Concluiu Pós-Doutorado em História da Arte pela Université du Quèbec à Montréal (UQAM, Canadá), onde integrou o grupo de pesquisa FIGURA – Centre de recherche sur le texte e l’imaginaire. Doutora na Faculty of Arts pela Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven, Bélgica), com bolsa Capes de Doutorado Pleno no Exterior. Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (Poscom/UFBA). Desenvolve pesquisa na área de Comunicação e conduz projetos sobre cultura visual e estudos da narrativa. Teve projeto aprovado pelo Edital Universal 2013-2016, intitulado Narrativa visual no fotojornalismo contemporâneo. Foi chefe de Departamento de Comunicação (2015), coordenadora do Curso de Jornalismo (2014-2015) e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (2017-2018), atualmente é coordenadora do Programa no biênio 2025-2026. Atuou como parecerista de projetos, livros e periódicos, membro de comitê científico e organizadora de eventos internacionais.
