Sexta-feira (24/4)
14 h –Antes da Ciranda Fotográfica *
| Porto Digital – auditório do Núcleo de Gestão, no Cais do Apolo, 222, 8º andar, Bairro do Recife
- Lavagem de Cabeça – Alex Hermes (Rio de Janeiro – RJ)
O ensaio resulta de 10 anos de imersão etnográfica no território Pitaguary (CE), nos terreiros do Pajé Barbosa. Focado no ritual afro-indígena de fortalecimento mediúnico , explora a “câmera-corpo” como método performático. Rompendo com a representação estática, utiliza técnicas de DSLR, longa exposição noturna e movimento para traduzir a estética do transe e a eficácia do invisível. As imagens operam como “tecnologia do encantamento”, onde o antropólogo se funde ao ritual, gerando visualidades que afirmam a resistência cosmopolítica e a memória da aldeia.
- Um grande passado pela frente – viviane piccoli (São Paulo – SP)
Projeto em andamento, iniciado em 2025. A série reúne retratos das mulheres que compõem a família de viviane — mãe, irmã, tia, avó, prima e ela mesma. São imagens impressas em técnicas diversas, como cianotipia, van Dyke, anthotype ou impressão fotográfica comum, que passam por uma intervenção em bordado.
A ideia do projeto, além de criar belos retratos dessas mulheres que a compõem, é também ligá-las, mesmo que distantes, por linhas de bordado — afinal, viviane é o elo entre todas elas. É uma forma da artista se aproximar delas, ainda que de maneira subjetiva.
- Hummus – NEGROSOOUSA (Granja – CE)
A essência humana encontra permissão e condição na expressão, um processo singular que transcende a técnica para modular a percepção e compor o campo imagético. Hummus materializa essa revelação pessoal, utilizando a essência terrestre dos tubérculos para criar uma narrativa visual de humanoides imaginários. Estas figuras são personificações xamânicas, cujo poder vai além do visual, atuando como pontes entre o orgânico e o fantástico em um campo harmônico.
Tal qual monarcas de um reino subterrâneo, os humanoides emanam uma dignidade natural e presença imponente, características que o artista busca transmitir ao observador para fomentar identificação e reflexão sobre a natureza humana e suas potências internas. A obra evoca a força interior através dos elementos da terra, relembrando a conexão íntima com o mundo natural e a potência criativa de observar o ordinário com olhos extraordinários.
O material utilizado destaca a potencialidade transformadora dos itens comuns, elevando-os a uma existência extra. Através desta pesquisa e da experiência proposta, a contemporaneidade se instala, traçando uma geografia próxima entre dois mundos. O ato criativo imprime originalidade, intenção e profundidade, consagrando a versatilidade da natureza e propondo uma relação de respeito e crescimento mútuo entre o humano e a terra.
Hummus é uma ode visual à imaginação e um convite ao reconhecimento de um mundo onde as raízes não apenas sustentam, mas se tornam a vida em sua forma mais expressiva e poderosa. É a raiz de tudo.
- Repetir o futuro – Cassandra Barteló (Salvador – BA)
Série de 11 imagens produzidas com retratos de mulheres. A partir da concepção de que somos constituídos por pessoas e lugares, a artista mescla fotografias de arquivo de família e imagens de paisagens. As imagens tratam da repetição do futuro, mas não como uma cópia idêntica do passado, e sim um futuro pensado como aquilo que carrega consigo a possibilidade de criação, de transformação. O futuro que traz o novo, aprendendo e sendo construído com o passado e com o presente, o futuro que é erguido a partir de referências e vivências, o futuro que é iniciado muito antes de nós, com as gerações que nos antecedem.
A série Repetir o futuro é produzida com fotografias analógicas em formato 3 x 4, originárias das décadas de 1950, 1960 e 1970, e com registros digitais de paisagens, realizados de 1990 até 2025. As imagens apresentam três gerações da família da artista: retratos dela mesma na infância, suas avós, mãe e madrinha. A obra é composta por 11 fotografias impressas em pigmento mineral sobre canvas, no tamanho 15 cm x 20 cm, cada uma. Produzida em processo artístico desenvolvido no Ativa Atelier Livre, a série integrou a exposição Abusar do arquivo, com curadoria do artista visual Fábio Gatti, realizada no Goethe Institut, em Salvador (BA), de 3 de dezembro de 2025 a 6 de março de 2026. O vídeo foi editado por Caio Araújo, da Abajur Filmes.
- Pemba – Meysa Medeiros (Natal – RN)
As imagens apresentadas integram o still do curta-metragem Pemba, da Trapiá Filmes, com fotografias de Meysa Medeiros, convidada a lançar um olhar mais documental sobre o projeto, ampliando sua dimensão poética.
Dirigido e roteirizado por Lourival Andrade, o filme constrói uma narrativa sensível sobre identidade e ancestralidade, atravessando a negritude, as memórias do sertão e as conexões com as religiões afro-brasileiras.
O protagonista é Jadson Barbosa, de 10 anos, que interpreta a infância do artista visual André Vicente. Com presença delicada e expressiva, Jadson conduz a narrativa a partir do olhar da criança, traduzindo em gestos e silêncios as descobertas, afetos e experiências que marcaram a formação do artista.
- Purificando – Paula Giordano (Belém – PA)
O corpo se entrega ao fogo como quem retorna a um antigo altar. As chamas são guias, elas convocam medos enterrados, iluminam zonas secretas da mente e convidam à travessia. O ritual acontece entre dor e revelação, entre o que arde e o que deseja se libertar. É como se cada centelha abrisse um caminho interno, transformando o corpo em passagem, e não em finitude. Nesse território simbólico, a labareda fala uma língua ancestral: queimar para iluminar, arder para recomeçar.
Se em Asfixia Paula questiona de onde viriam os medos, aqui, ela os depura.
Este fotofilme participou do 39º Salão Arte Pará (2021), “Uma história da videoarte na Amazônia“, ocorrido de forma híbrida, com mostra virtual de 62 vídeos de artistas convidados e curadoria de Paulo Herkenhoff.
- Santo, na trilha das comitivas – Karina Martins (Belém – PA)
Projeto de longa duração em que Karina acompanha e fotografa as comitivas de esmolação de São Benedito em suas peregrinações durante o ano. Após a Páscoa, as três comitivas de esmolação saem da igreja secular de São Benedito em Bragança em visita a casas de moradores pelas zonas rurais, praieiras e campos alagados do município de Bragança, no Pará, visitam também cidades vizinhas a Bragança, chegando até o Maranhão. Essas comitivas buscam levar a presença do santo Preto, como São Benedito é carinhosamente chamado pela população bragantina, aos lugares mais afastados, e também arrecadar donativos para a grande festa da Marujada de São Benedito, que ocorre no dia 26 de dezembro.
* Há uma reprise das obras no sábado (25/4), durante o Café Pequeno, que começa às 19h.






