pequeno encontro 2025

a matéria da fotografia

De que é feita a fotografia? Que substâncias dão corpo a ela? A fotografia acolhe uma diversidade tão grande de suportes, elementos e processos, que é difícil buscarmos defini-la por sua materialidade. Se o daguerreótipo consiste em uma chapa metálica polida, o digital existe como informação numérica no diáfano mundo das redes virtuais. O papel, que reinou como principal meio para as fotografias por tanto tempo, seja nos álbuns, nas publicações ou na parede, nem de longe alcança a popularidade das telas no compartilhamento e fruição das imagens nos dias de hoje. E nem imaginamos o que está por vir, a despeito das obras de ficção científica que projetam novas incorporações – com o corpo humano mesmo – nesses modos de interagir com as chamadas imagens técnicas (campo inaugurado pela fotografia).

O Pequeno Encontro da Fotografia sempre buscou trazer diálogos que envolvessem a fotografia em suas mais diversas abordagens. Nesta edição, voltamos nossa atenção para obras, autoras e autores que encaram a materialidade e a desmaterialização da fotografia como aspectos importantes de suas produções imagéticas e conceituais. Há aqui um tensionamento e uma complementaridade com muitos debates que já passaram por nossa programação nos anos anteriores. Propomos nomes importantes da produção contemporânea para instigar questões que refletem sobre o fazer fotográfico e expandem nosso entendimento sobre a linguagem.

Eduardo Queiroga, Maria Chaves e Mateus Sá.

programação

Terça-feira (11/3)

Espaço da Pesquisa, curadoria de Janaína Damasceno (UERJ e UFF)
Apresentação ao vivo pelo YouTube e textos publicados no site do festival

15h às 18h – Painel 1

  • Entre imagens e experiências: a fotografia como resistência à normatividade de gênero em Renascendo das Águas | Talita Matos Ribeiro (UFPE) e Daniela Nery Bracchi (UFPE)
  • Mapeamento dos coletivos de mulheres na fotografia brasileira contemporânea: os processos e a criação em rede no Brasil | Charlotte Pedrosa (UFSE)
  • Fotografia, performance e maternidade: uma experimentação contemporânea | Elisa Elsie Costa Batista da Silva Beserra (UFRN)
  • Em Brasília: últimos lançamentos da moda têxtil para a primavera-verão 1959/60 | Virna Santolia (UERJ)

19h às 21h – Painel 2

  • Histórias potenciais na memória do rompimento de Fundão: o caso da imagem feita por 6 (seis) diferentes fotojornalistas | Ana Elisa Novais (IFMG)
  • Jornal A Sirene – fotografia, documento social e solastalgia | Larissa Helena (Unesp)
  • Uma fotografia capturada no Rio de Janeiro em junho de 1968 e suas retomadas contemporâneas como construção de um imaginário em disputa | Luís Henrique Leal (UFRB) e Ludovico Longhi (UAB)
  • Para além do visível e do real: uma crise de identidade na imagem fotográfica? | Marcelo Feitosa (PUC-Rio)
  • Fantasmas trancados no porão: lacunas como possibilidade de criação poética | Luciane Bucksdricker (UFRGS)
Projeção de sobreposições de fotografias em cores esmaecidas e translucidas. Duas mulheres jovens, brancas e magras, estão de pé. Usam biquini com top de faixa franzido entre os seios e com alças amarradas no pescoço. A da esquerda, na cor azul; e a da direita, em vermelho. Entre elas, no centro, dois vestidos de alças finas pendurados em cabides, a projeção de três crianças: uma em pé, de sunga vermelha; outra, sentada, olhando para a terceira, um bebê no colo de um homem, ambos parcialmente encoberto. Ao fundo, o mar com arrecifes, uma projeção que se sobrepõe ao corpo das mulheres, com as rochas refletidas nas coxas delas. Nas laterais, à esquerda, um fusquinha vermelho visto parcialmente; e, à direita, uma porta aberta. No chão, um amontoado de areia, algumas pedras e capim ralo. Uma borda preta evoca o ambiente escuro da projeção.
Amígdala (cerebelosa), 2018, instalação de Luciane Bucksdricker | Foto: Bruno Tamboreno

Quarta-feira (12/3)

Oficinas de Dirceu Maués (PA), Maria Vaz (MG) e Mitsy Queiroz (PE)
No Mercado Eufrásio Barbosa (inscrições encerradas)
Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda

9h às 12h

  • Fotografia Pinhole: da construção da câmera à prática fotográfica | Dirceu Maués (PA)
  • Abordagens críticas, anarquivismos e fabulações poéticas | Maria Vaz (MG)

14h às 17h

  • Poéticas do Fracasso: processos experimentais em fotografia | Mitsy Queiroz (PE)

Apresentação de Portfólio
Apresentação ao vivo pelo YouTube e portfólios publicados no site do festival

19h às 21h

  • Quanto Tempo Duram as Maçãs? | João Bach (Fortaleza – CE)
  • Helenas | viviane piccoli (São Paulo – SP)
  • Corpos Conflitantes + Retirada Violenta + Sim Sinhô: fotoetnografia da Comunidade Quilombola do Ausente + Modos de Ser | Nilmar Lage (Ipatinga – MG)
  • A mãe morta | Marisi Bilini (Tenente Portela – RS) 
  • F.Ilha | Michelle Bastos (Brasília – DF)

Quinta-feira (13/3)

Oficinas de Dirceu Maués (PA), Maria Vaz (MG) e Mitsy Queiroz (PE)
No Mercado Eufrásio Barbosa (inscrições encerradas)
Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda

9h às 12h

  • Fotografia Pinhole: da construção da câmera à prática fotográfica | Dirceu Maués (PA)
  • Abordagens críticas, anarquivismos e fabulações poéticas | Maria Vaz (MG)

14h às 17h

  • Poéticas do Fracasso: processos experimentais em fotografia | Mitsy Queiroz (PE)

Projeções e Palestras de Maria Vaz (MG) e Dirceu Maués (PA)
No Mercado Eufrásio Barbosa (aberto ao público)
Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda

18h30

Projeções

  • Chão, fotografias, Sertão de Lembranças | Afonso Jr. (Recife – PE)  
  • O céu da boca da noite | Géssica Amorim (Flores – PE)  
  • Quatro Gerações | Guilherme Bergamini (Belo Horizonte – MG)
  • O Sol Daqui Brilha Amarelo | Henrique Fujikawa (São Paulo – SP)
  • Ofereço meu retrato como lembrança | JULIANA ARRUDA (São Paulo – SP)  
  • Pó mágico | Paulo Rossi (João Pessoa – PB)
  • Retrato Oco | PV Ferraz (Recife – PE)
  • Para Elza, memórias dos nossos afetos | Ulla von Czékus (Salvador – BA)
  • Viagem in-só-lita | Mariana Almada (Brasília – DF)
  • Navegantes da Paisagem | viviane piccoli (São Paulo – SP)
Numa sala, de piso de cimento queimado vermelho, três espreguiçadeiras de madeira, com braços, e sem a lona do assento. Acima, na parede branca, fotografias em preto e branco. Duas, em molduras ovais douradas: uma é fotopintura de um casal, e a outra, é foto de um casal, ela de noiva e ele de paletó. Abaixo, uma foto quadrada, do rosto de uma mulher de perfil em moldura dourada com quinas decoradas em relevo. Ao lado, cinco fotos grandes. A do centro é a de uma família com quatro crianças, os pais e o avô. Estão de pé. A mãe com a caçula nos braços, ambas usam vestidos. Outra menina, de uns sete anos, usa vestido com detalhes de marinheiro. O menino, de uns cinco anos, usa calça escura e camisa de malha listrada. A mais velha, de uns 11anos, está ao lado do pai, que é alto. Ele está com a mão direita no ombro dela e a esquerda no ombro da mãe. Junto ao pai, o avô. Ele é calvo, usa de camisa de botão, e está com os braços para trás. Ladeando essa foto, tem a foto individual dos filhos. À esquerda, a segunda filha; abaixo, o menino; à direita, a mais velha; e, abaixo, a caçula.
Chão, fotografias, Sertão de Lembranças | Foto: Afonso Jr.

Palestras

  • “Fabricações poéticas do dispositivo fotográfico” | Dirceu Maués (PA)
    A fotografia pinhole, conhecida por sua simplicidade técnica e pela ausência de lentes, abre um vasto campo para a exploração de processos criativos. A partir de uma prática artística centrada na experimentação com dispositivos fotográficos, iniciada em 2003 com a construção e utilização de câmeras artesanais pinhole, esta apresentação propõe discutir a fotografia à luz dos conceitos de individuação, objeto técnico e invenção desenvolvidos por Gilbert Simondon.
  • “Arquivos Potenciais: ativar e imaginar novas visibilidades “ | Maria Vaz (MG)
    Qual é o potencial da imaginação, da fabulação e da criação em desafiar e expandir as visibilidades estabelecidas pelas narrativas oficiais? Como os acervos institucionais de um território podem ser apropriados e ativados e quais são as contribuições das artes visuais para a sua potencialização? Esta conversa é uma chamada à imaginação, à fabulação e à construção de novas narrativas e imagens desde os arquivos, ou do que lhes falta.

Sexta-feira (14/3)

Oficinas de Dirceu Maués (PA), Maria Vaz (MG) e Mitsy Queiroz (PE)
No Mercado Eufrásio Barbosa (inscrições encerradas)
Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda

9h às 12h

  • Fotografia Pinhole: da construção da câmera à prática fotográfica | Dirceu Maués (PA)
  • Abordagens críticas, anarquivismos e fabulações poéticas | Maria Vaz (MG)

14h às 17h

  • Poéticas do Fracasso: processos experimentais em fotografia | Mitsy Queiroz (PE)

Projeções e Palestras de Erika Tambke (RJ) e Mitsy Queiroz (PE)
No Mercado Eufrásio Barbosa (aberto ao público)
Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda

18h30

Projeções

  • lavagem de cabeça | Alex Hermes (Fortaleza – CE)
  • Ouricuri | Bruno Lira (Guarabira – PB)
  • Thalassa | GISA ARAUJO (São Paulo – SP)
  • Sem folha não tem Orixá | Leila Chandani (Salvador – BA)
  • Nossos horizontes | Aline Rodrigues (Fortaleza – CE) 
  • Caderno de Inadequações | Fernando Jorge (Fortaleza – CE)
  • Hora de Voltar | Fernando Maia da Cunha (Fortaleza – CE)
  • domesticidade | Ana Elisa Novais (Mariana – MG)
  • A horse and a delivery man | Diego Oliveira (Anápolis – GO)
  • Rosa | Sonia Gouveia (São Paulo – SP)

Palestras

  • “Todo mundo tem uma história para contar” | Erika Tambke (RJ)
    A fotografia popular é um movimento que documenta espaços e eventos populares a partir de uma intimidade dos autores com seus temas. Desenvolver uma relação de confiança e cumplicidade com as pessoas retratadas é central como metodologia. A fotografia é um grande meio para se contar e viver uma história, porque a elaboração de ensaios fotográficos se impulsiona a partir de um aprofundamento de relações e emoções, o que incorpora camadas à narrativa. Não há pressa para se contar uma história, há muitas idas e vindas. Vamos falar desse processo e apresentar exemplos da fotografia popular.
  • “Quando a caixa da noite foi aberta” | Mitsy Queiroz (PE)
    Apresentação de um ensaio que entrelaça os saberes e a cosmologia da pesca artesanal com os processos criativos da fotografia analógica. Por meio de paisagens que evocam diferentes experiências do tempo, a reflexão percorre os fenômenos da espera como devir e as percepções sobre a imprevisibilidade das imagens – ou das criaturas – que emergem das profundezas dessa “caixa preta” que é o mar.
Em parte de uma fachada, um basculante, uma parede com camadas de tinta descascadas e, abaixo, pintado em vermelho: “Achei que era amor, e era.”. O basculante é enferrujado e sem vidro. Está com um lençol rosa desbotado preso por dentro na segunda abertura de cima, e passa através da penúltima abertura, com a ponta voltada para dento do cômodo. A parede tem camadas de tinta, amarelo escuro mais acima, e, por baixo, amarelo claro. Mais à direita, o reboco está à mostra; e sobre ele tem carimbos cor de rosa de duas palmas de mãos. Abaixo do basculante, a frase, que tem tinta escorrida em algumas letras e no ponto final, está sobre camadas de tintas azul, rosa e verde claro.
Mobfotografia – Providência | Foto: Erika Tambke

Sábado (15/3)

Expedição Fotográfica
Pelo Sítio Histórico de Olinda

10h às 12h – Com ponto de partida no Mercado Eufrásio Barbosa (aberta ao público, com lista de interesse para quem gostaria de receber avisos sobre roteiro).

Foto em preto e branco de uma mulher jovem em pleno salto sobre uma faixa de pedestres. Ao fundo, alguns postes de eletricidade, ônibus enfileirados e prédios. Ela está com as pernas abertas e dobradas em “L” na horizontal, uma para frete e outra para trás. O braço direito esticado para cima e o esquerdo para baixo. Os cabelos longos estão levantados e as pontas tocam a mão do alto. Ela tem feições delicadas e olha para baixo com a cabeça levemente inclinada para o lado. Usa macacão estampado colado e botas.
Maria Flor | Foto: Rafael Bandeira.

Ciranda Fotográfica
Mercado Eufrásio Barbosa
Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda

16h às 18h – Apresentação das obras e votação popular.

  • A Fina Linha Vermelha da Rememoração | Ícaro Galvão (Recife – PE)
  • Retrato Oco | PV Ferraz (Recife – PE)
  • Inventário Botânico Afetivo | Karol Santiago (Caruaru – PE)
  • trajetórias aquáticas entre ident(c)idades  – As fronteiras de gênero entre mergulho e respiro | ga olho (Brasília – DF, residente no Recife – PE)
Fotografia vertical de uma paisagem com interferências digitais, como borrado, e manuais, como pespontos e alinhavos. Em primeiro plano, uma pessoa nada para a esquerda em águas esverdeadas sobre corais verde-escuros. Os pés estão próximos à superfície, ligeiramente curvos e iluminados. O corpo, visto parcialmente, é alongado.O braço esquerdo está esticado para o lado com a mão aberta. Contornando o corpo, acima, um alinhavo com linha espessa roxa, espiralada de amarelo; e, abaixo, com linha azul, também espiralada de amarelo. Acima, um pesponto amarelo parece flutuar nas águas um pouco borradas que refletem a luz da margem de uma cidade manchada com topo marrom e base intensamente iluminada. À direita, um edifício azulado. Sobre o céu azul, seis raios de linhas amarelas despontam do centro da cidade até a margem superior.
Trajetórias aquáticas entre ident(c)idades – As fronteiras de gênero entre mergulho e respiro | Foto: ga olho.

apresentação de portfólio

Quanto Tempo Duram as Maçãs?
João Bach (Fortaleza – CE)

Apresenta imagens do projeto Quanto Tempo Duram as Maçãs?, que investiga memórias, ausências e silêncios em histórias familiares através da reconstituição visual de um casamento de conveniência nos anos 1950 no Nordeste brasileiro.

Helenas
viviane piccoli (São Paulo – SP)

Helenas questiona como a sociedade diferencia as meninas ainda na infância pela cor do cabelo. Crescer em um país como o Brasil é entender desde cedo que os cabelos loiros são o ideal, é o que simboliza a beleza. Quando crianças, as Helenas possuem o poder da beleza angelical, e quando adultas, transformam-se em musas. Derivado do termo grego “helene”, Helena significa a luz brilhante, a bela, a que possui esplendor e luminosidade. E sempre foi assim que vi as Helenas, seja a de Tróia, seja as das novelas de Manuel Carlos na Globo, seja na minha família. Por meio da combinação de fotografias autorais e de acervo pessoal e público, busco ressignificar o incômodo que experimentei durante a infância, tentando compreender por que nossa sociedade ainda nos diferencia e como isso afetou negativamente minha percepção de beleza e autoimagem.

Corpos Conflitantes + Retirada Violenta + Sim Sinhô: fotoetnografia da Comunidade Quilombola do Ausente + Modos de Ser
Nilmar Lage (Ipatinga – MG)

Apresenta trabalhos que refletem as pesquisas mais aprofundadas do artista: Corpos Conflitantes reúne trabalhos realizados entre 2012 e 2017; Retirada Violenta é uma interpretação sobre perdas e lutas por direitos fundamentais; Sim Sinhô: fotoetnografia da Comunidade Quilombola do Ausente é uma pesquisa sobre ressignificar o reconhecimento “vale da miséria”, que recai sobre o Vale do Jequitinhonha, a partir de imagens que falem da diversidade do modo de vida, das riquezas outras; Modos de Ser é um projeto em andamento, buscando apontar resistências e confluências na espiritualidade.

A mãe morta
Marisi Bilini (Tenente Portela – RS)

Na série A mãe morta, a fotógrafa e psicanalista Marisi Bilini relaciona-se livre, poética e imageticamente com o conceito de “mãe morta” utilizado pelo psicanalista francês André́ Green, e evidencia as faltas, as dores, os traumas, os medos, mas também fala dos desejos, dos sonhos e da sensibilidade que nos habita enquanto seres humanos, em nossas transmissões geracionais.

F.Ilha
Michelle Bastos (Brasília – DF)

F.Ilha, além de fi lha é ilha, algo que se apartou de outro algo 
ou alguém e, assim, pequena, foi virar terra fi rme em meio ao 
oceano, tendo por vista oposta o pedaço original de onde se 
desgarrou.
É uma tentativa de fazer as pazes com a jornada, de parar de 
lutar contra.
É uma jornada de aceitação. De beleza. Sem dor.
É deixar ser aquilo que permanece.
É sangrar, como sentido da vida.
É olhar para trás sem encerrar o movimento de deslocar-se.
É seguir, dançando com o incerto.
É viver tudo aquilo que em nós não morreu, cercado de tudo  que já tentaram matar. É sobre ir.

ciranda fotográfica

A Fina Linha Vermelha da Rememoração
Ícaro Galvão (Recife – PE)

Projeto expositivo individual do artista, com curadoria de Walter Arcela, exibido na antiga Casa de Câmara e Cadeia do Brejo da Madre de Deus entre junho e agosto de 2024. Nessa mostra, o artista propõe um percurso pelo caminho da memória, passando pela fase que ele chama de acúmulo, seguindo pelo esquecimento e por último a rememoração. É por meio de técnicas como a cianotipia, apropriação de fotografias de acervo, costura, tecelagem, colagem e assemblagem que Ícaro cria e manipula as imagens fotográficas e desenvolve as obras apresentadas nessa exposição.

Retrato Oco
PV Ferraz (Recife – PE)

Projeto de fotografia multimídia que explora a relação entre identidade, ausência e memória. A série apresenta retratos digitais onde os rostos são substituídos por vídeos em movimento, criando um diálogo entre o real e o simbólico. A obra questiona a construção do eu na era digital, refletindo sobre o impacto das imagens e das representações visuais na subjetividade.

Inventário Botânico Afetivo
Karol Santiago (Caruaru – PE)

O projeto mergulha no universo da antotipia, uma técnica fotográfica ancestral que utiliza pigmentos naturais extraídos de folhas, flores, frutas ou raízes para criar imagens únicas e sensíveis. Essa técnica, descoberta pelo cientista e astrônomo inglês John Herschel em meados do século XIX, foi aprofundada em seus aspectos fotoquímicos pela cientista e escritora escocesa Mary Somerville.

Utilizando a rica vegetação da cidade de Caruaru, no Agreste Pernambucano, como fonte de pigmentos naturais, o projeto resultou em um acervo de fotografias que documentam a diversidade da flora local e as possibilidades expressivas da antotipia. Cada imagem é um registro da interação entre a luz, a planta e o papel, revelando a singularidade de cada espécie e a beleza intrínseca da natureza. Além de seu valor estético, o Inventário Botânico Afetivo propõe uma reflexão sobre nossa relação com o meio ambiente. Ao utilizar recursos naturais e promover uma produção fotográfica de baixo impacto ambiental, o projeto contribui para a valorização da biodiversidade e incentiva a busca por alternativas mais ecológicas na produção artística.

Este projeto foi produzido com fomento da Bolsa de Incentivo à Produção Cultural (BICC), uma iniciativa da Superintendência de Cultura (SUPERCULT) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e contou com a parceria do Laboratório de Fotografia do Agreste (Fotolab). Orientadora: Prof. Dr. Daniela Nery Bracchi. Coordenadora Técnica: Milena Costa Marques.

trajetórias aquáticas entre ident(c)idades  – As fronteiras de gênero entre mergulho e respiro
ga olho (Brasília – DF, residente no Recife – PE)

Trabalho de cunho intelectual e artístico que aborda as trajetórias não-binárias de gênero, refletindo a respeito da fluidez das identidades em contextos de deslocamento. Através da técnica de bordado em fotografia em criações coletivas com pessoas dissidentes de gênero, o trabalho propõe um estudo teórico respeito da liquidez das identidades e seus processos de deslocamento no que eu chamo de generografia.

espaço da pesquisa

Foto: Janaína Damasceno


Curadoria

Janaína Damasceno é professora adjunta do Curso de Cinema da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Programa de Pós-graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (UFF). Janaína tem se destacado nos últimos anos por suas contribuições a instituições como o Instituto Moreira Salles, aprofundando a reflexão sobre os sentidos da fotografia e da arte negra. Além disso, ela coordena o grupo de pesquisa Afrovisualidades: Estéticas e Políticas da Imagem Negra, explorando temas fundamentais para o entendimento das representações da cultura negra na fotografia e nas artes visuais.

15h às 18h – Painel 1

Entre imagens e experiências: a fotografia como resistência à normatividade de gênero em Renascendo das Águas
Talita Matos Ribeiro (UFPE) e Daniela Nery Bracchi (UFPE)

O presente artigo investiga a fotografia, a partir do ensaio Renascendo das Águas, como meio de questionar normas de gênero. Tendo como objetivo analisar como imagens visuais podem desafiar padrões de feminilidade e promover reflexões sobre a produção identitária, é utilizada
metodologicamente as proposições da Cultura Visual e Arte Relacional, aliadas à Conversa como metodologia de pesquisa, possibilitando um processo colaborativo. Nesse sentido, as discussões da Teoria Queer auxiliam na crítica à normatividade de gênero ao questionar os padrões estéticos impostos às mulheres. Conclui-se que a fotografia pode ser uma ferramenta estética e política para subverter normas de gênero e ampliar as possibilidades de existência e resistência.
Palavras-chave: Fotografia. Cultura Visual. Arte Relacional. Teoria Queer. Gênero.

Mapeamento dos coletivos de mulheres na fotografia brasileira contemporânea: os processos e a criação em rede no Brasil
Charlotte Pedrosa (UFSE)

O presente artigo busca explorar a emergência de coletivos fotográficos de mulheres no Brasil no período de 2018 a 2023. Esses coletivos têm desempenhado um papel crucial na ampliação de novos espaços para as fotógrafas e os fazeres fotográficos. O trabalho tem como objetivo mapear esses coletivos, entender seus processos políticos, criativos e estruturais, destacando a importância da criação em rede.
Palavras-chave: Coletivos fotográficos, Fotógrafa, Gênero, Mapeamento

Fotografia, performance e maternidade: uma experimentação contemporânea
Elisa Elsie Costa Batista da Silva Beserra (UFRN)

A investigação sobre como a maternidade pode influenciar e atravessar os trabalhos artísticos fotográficos move a escrita e seleção de imagens. A partir de dois projetos pessoais “Acolhida” e “Experimento Miguel” penso a fotografia contemporânea como uma linguagem que possibilita a expressão de sentidos, a comunicação de ideias e pensamentos. Analiso a prática artística em fotografia partindo das discussões contemporâneas em uma aproximação metodológica com a autoetnografia, na qual a articulação da discussão teórica à discussão empírica é feita por meio de um diálogo com autoras e autores desde uma perspectiva pessoal. A pesquisa aproxima os conceitos fotografia e performance, assim como a condição de mãe a uma performance social. As produções artísticas fotográficas pretendem tensionar as representações tradicionais da maternidade na contemporaneidade. 
Palavras-chave: Fotografia. Maternidade. Performance. Imagem. Autoetnografia.

Em Brasília: últimos lançamentos da moda têxtil para a primavera-verão 1959/60
Virna Santolia (UERJ)

Um instantâneo da sociedade brasileira pode ser observado no publieditorial “Em Brasília: Últimos Lançamentos da Moda Têxtil para a Primavera-Verão 1959/60”, publicado na Revista Manchete em outubro de 1959. Fotografado por Otto Stupakoff, o editorial trazia seis fotografias que destacavam a alta costura com tecidos Rhodia, tendo a arquitetura modernista de Brasília como cenário de progresso. No entanto, perpetuava modelos paternalistas, racistas e de estratificação social, ainda visíveis em 2024.
Moda têxtil; Fotografia de Moda; Arquitetura Modernista; Brasília; Estratificação social.

19h às 21h – Painel 2

Histórias potenciais na memória do rompimento de Fundão: o caso da imagem feita por 6 (seis) diferentes fotojornalistas
Ana Elisa Novais (IFMG)

Este trabalho é parte de uma pesquisa sobre a memória do desastre do rompimento de Fundão. A memória do desastre não se resume à memória do rompimento, do evento em si. Neste artigo, analiso a produção e circulação de seis fotografias semelhantes, capturadas por diferentes fotojornalistas, após o rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), em 2015. A partir da perspectiva da “história potencial” proposta por Ariella Azoulay, explora-se como essas imagens, ao retratarem uma fotopintura de um casal em meio à lama, tornam-se suportes de memória e disputa política. Discute-se a materialidade da fotografia, a autoria coletiva e o papel das imagens na construção de narrativas sobre o desastre, propondo uma reflexão crítica sobre o fotojornalismo e suas possibilidades de reativação como ferramenta de transformação social.
Palavras-chave: Fotografia, Memória, História Potencial, Fotojornalismo, Desastre de Mariana.

Jornal A Sirene – fotografia, documento social e solastalgia
Larissa Helena (Unesp)

Este estudo analisa a relação entre a fotografia e o conceito de solastalgia no contexto do jornal A Sirene, uma publicação criada pelos atingidos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. Fundamentado nos estudos de Gisèle Freund e outros teóricos da fotografia e comunicação comunitária, o estudo investiga como as imagens publicadas no jornal não apenas informam, mas também atuam como registros visuais de solastalgia, conceito formulado por Glenn Albrecht para descrever o sofrimento associado à perda de um território. A pesquisa demonstra que o jornal A Sirene ressignifica o fotojornalismo ao integrar a subjetividade dos atingidos, conferindo às imagens um papel ativo na construção da narrativa e na luta por justiça. Essas representações visuais revelam a complexidade emocional vivida pelos atingidos, destacando a fotografia como ferramenta para compreender as dinâmicas de memória, resistência e luta por justiça em contextos de crise ambiental.
Palavras-chave: Fotografia documental; Jornal A Sirene; Solastalgia; Atingidos por barragem.

Uma fotografia capturada no Rio de Janeiro em junho de 1968 e suas retomadas contemporâneas como construção de um imaginário em disputa
Luís Henrique Leal (UFRB) e Ludovico Longhi (UAB)

Neste artigo refletimos sobre as disputas contemporâneas em torno da memória da ditadura militar brasileira (1964-1985) a partir da análise dos diferentes caminhos tomados por uma fotografia. Trata-se de uma imagem captada por Evandro Teixeira no dia 21 de junho de 1968, que ficaria marcado como “Sexta-feira Sangrenta”. Publicada no dia seguinte ao episódio na capa do Jornal do Brasil, um dos jornais de maior circulação do país, essa imagem se tornaria um dos registros fotográficos mais conhecidos desse período da história do Brasil, sendo continuamente retomada em montagens e materiais gráficos nas redes sociais, em publicações em jornais e revistas, em vídeos no Youtube e em parte significativa de documentários televisivos ou produções independentes sobre a ditadura militar. No exercício de análise e interpretação sobre algumas de suas retomadas mais recentes, indagamos sobre que histórias ela pode revelar e a que disputas ela dá lugar no contexto de acirramento político que estamos vivendo no país.
Palavras-chave: Ditadura Militar Brasileira. Fotografia. Evandro Teixeira. Fotomontagem. Memória política.

Para além do visível e do real: uma crise de identidade na imagem fotográfica?
Marcelo Feitosa (PUC-Rio)

O presente estudo propõe uma investigação sobre a existência de uma possível crise de identidade na imagem fotográfica devido a uma crise decorrente da reformulação conceitual sugerida por Roland Barthes, em A câmara clara, e por Philippe Dubois, em O ato fotográfico. Nessas obras, os autores citados propõem a superação da tradicional concepção binária da relação significante-significado dos signos fotográficos, em prol de uma relação ternária que introduz o referencial como elemento válido de significação. O estudo também avalia as influências que essa reformulação passou a exercer nas investigações contemporâneas sobre os signos semióticos de representação na fotografia e os impactos que isso vem causando no entendimento da fotografia para além do ato de representação. 
Palavras-chave: Roland Barthes. Philippe Dubois. Semiótica. Fotografia. Ato fotográfico.

Fantasmas trancados no porão: lacunas como possibilidade de criação poética
Luciane Bucksdricker (UFRGS)

A partir da noção de casa, do que ela guarda e “secreta”, este artigo procura perceber como se
misturam memórias e imagens na formação de um trabalho de instalação que envolve projeção de slides e objetos. Partindo de uma hipótese de que a imagem negada traz a necessidade de
preenchimento das lacunas geradas, analiso a produção de um trabalho poético.
Palavras-chave: Casa. Fotografia. Fantasmas. Lacunas. Memória.

oficinas

| De quarta (12) a sexta-feira (14/3).
| Mercado Eufrásio Barbosa (Largo do Varadouro, s/n, Varadouro, Olinda).
| Inscrições encerradas.

Abordagens críticas, anarquivismos e fabulações poéticas
Maria Vaz (MG)

Quando o tempo dura uma tonelada. Foto: Duo Paisagens Móveis: Bárbara Lissa e Maria Vaz

| Quarta (12), quinta (13) e sexta-feira (14/3), das 9h às 12h.

Esta oficina tem como objetivo ampliar as possibilidades do fazer fotográfico em encontro com outras linguagens e processos criativos, trazendo obras e reflexões que tensionam os limites da fotografia por meio de abordagens críticas, “anarquivismos” e fabulações poéticas. Como pensar a fotografia para além do registro fotográfico? Poderia ela ser incorporada ao meio ou, ainda, ser a própria materialidade daquilo que representa? Como partir de imagens que já foram feitas – bem como da escassez de certas imagens – retomando arquivos institucionais e privados a fim de pensar outras possibilidades narrativas? Quais são os limites da fotografia – técnicos, conceituais e narrativos – e como a incorporação de outras linguagens potencializa a criação e os modos de narrar?

Foto: Maria Vaz


Quem ministra

Maria Vaz é artista visual e pesquisadora, doutoranda e mestra em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em seus trabalhos trata das relações entre memória, território e imaginário, através de fabulações críticas e poéticas, interseções entre imagem e palavra e o uso de arquivos públicos e privados. Foi indicada ao Prêmio PIPA 2023, contemplada pelo XVI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, selecionada pelo 9º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger e pelo 10º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia e participou de diversas exposições no Brasil e no exterior. Em 2023 foi premiada com a publicação do fotolivro Ilustríssimos, pela editora Porto de Cultura. É membro dos coletivos Women Photograph e Mulheres Luz e co-fundou o duo Paisagens Móveis, em parceria com Bárbara Lissa, com foco em temáticas que envolvem meio ambiente e ecocrítica. Com o duo realizou as individuais Quando o tempo dura uma tonelada e Três Momentos de um Rio, publicou os fotolivros Três Momentos de um Rio, pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, e Óris, pela editora Selo Turvo. Também com o duo foi selecionada pelo 8º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.

Fotografia Pinhole: da Construção da Câmera à Prática Fotográfica
Dirceu Maués (PA)

| Quarta (12), quinta (13) e sexta-feira (14/3), das 9h às 12h.

Esta oficina apresenta aos participantes a prática da fotografia pinhole, explorando o processo de construção de uma câmera artesanal e o registro de imagens em filme fotográfico. Através de atividades práticas e orientadas, os participantes serão guiados desde a construção de suas próprias câmeras até a captura, revelação e análise dos resultados.

Foto: Dirceu Maués


Quem ministra

Dirceu Maués vive entre Belo Horizonte e Montes Claros. É artista visual intermídia, doutor em Artes pela Escola de Belas Artes da  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2022), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade de Brasília (2015) e Bacharel em Artes Plásticas também pela Universidade de Brasília (2013). Atualmente é professor no curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Atuou como fotojornalista nos jornais impressos de Belém do Pará, entre os anos de 1997 e 2008. Desde 2004 desenvolve trabalho autoral nas interconexões entre a fotografia e outras linguagens artísticas (vídeo, instalações, intervenções urbanas, desenho e pintura), buscando discutir a questão da tecnologia através da invenção e utilização de dispositivos precários.

Poéticas do Fracasso: processos experimentais em fotografia
Mitsy Queiroz (PE)

Quando a caixa da noite foi aberta (2024). Foto: Mitsy Queiroz

| Quarta (12), quinta (13) e sexta-feira (14/3), das 14h às 17h

Esta oficina propõe reflexões sobre processos experimentais em fotografia que questionam as convenções da imagem técnica e as condições para o seu acontecimento, reformulando a perspectiva binária do fracasso como insucesso ou ausência de competência para operar a câmera em todos os códigos do seu dispositivo. Assim, ao revisar a fotografia como categoria de pensamento e seus principais paradigmas, analisaremos processos de criação que flexibilizam a rigidez da câmera, propondo apontamentos críticos sobre o programa fotográfico e a alta tecnologia da contemporaneidade, abrindo sobretudo margem para compreensão do fracasso como epistemologia de afirmação do erro e fenômeno de ruptura estética nos processos de arte y vida cuir em contexto sudaca.

Foto: Mitsy Queiroz


Quem ministra

Mitsy Queiroz é artista e pesquisador em processos experimentais de fotografia analógica, interessado na opacidade da imagem latente e seus mistérios, encoraja as afirmações do erro como fenômenos de ruptura e gestão da liberdade. Suas práticas refletem sobre a percepção do tempo, a transformação dos corpos e a conexão com a pesca artesanal. Atualmente, observa a relação de parentesco entre peixes e gentes, os movimentos de migração e a manifestação dos encantamentos entre as águas e a terra. Mitsy Queiroz é Mestre em processos criativos e sua abordagem multidisciplinar se destaca pelo envolvimento em práticas educativas e projetos colaborativos. Como artista visual, atua desde 2012, participando de mostras, salões, feiras de arte, programas de comissionamento de obras para galerias de arte e museus nacionais, residências artísticas, projetos de financiamento público e participação em importantes acervos como o da Pinacoteca de São Paulo.

palestras

Quinta-feira (13/3)

Fabricações poéticas do dispositivo fotográfico
Dirceu Maués (PA)

A fotografia pinhole, conhecida por sua simplicidade técnica e pela ausência de lentes, abre um vasto campo para a exploração de processos criativos. A partir de uma prática artística centrada na experimentação com dispositivos fotográficos, iniciada em 2003 com a construção e utilização de câmeras artesanais pinhole, esta apresentação propõe discutir a fotografia à luz dos conceitos de individuação, objeto técnico e invenção desenvolvidos por Gilbert Simondon.

Foto: Dirceu Maués


Palestrante

Dirceu Maués vive entre Belo Horizonte e Montes Claros. É artista visual intermídia, doutor em Artes pela Escola de Belas Artes da  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2022), Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade de Brasília (2015) e Bacharel em Artes Plásticas também pela Universidade de Brasília (2013). Atualmente é professor no curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Atuou como fotojornalista nos jornais impressos de Belém do Pará, entre os anos de 1997 e 2008. Desde 2004 desenvolve trabalho autoral nas interconexões entre a fotografia e outras linguagens artísticas (vídeo, instalações, intervenções urbanas, desenho e pintura), buscando discutir a questão da tecnologia através da invenção e utilização de dispositivos precários.

Arquivos Potenciais: ativar e imaginar novas visibilidades
Maria Vaz (MG)

Qual é o potencial da imaginação, da fabulação e da criação em desafiar e expandir as visibilidades estabelecidas pelas narrativas oficiais? Como os acervos institucionais de um território podem ser apropriados e ativados e quais são as contribuições das artes visuais para a sua potencialização? Esta conversa é uma chamada à imaginação, à fabulação e à construção de novas narrativas e imagens desde os arquivos, ou do que lhes falta.

Foto: Maria Vaz


Palestrante

Maria Vaz é artista visual e pesquisadora, doutoranda e mestra em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em seus trabalhos trata das relações entre memória, território e imaginário, através de fabulações críticas e poéticas, interseções entre imagem e palavra e o uso de arquivos públicos e privados. Foi indicada ao Prêmio PIPA 2023, contemplada pelo XVI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, selecionada pelo 9º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger e pelo 10º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia e participou de diversas exposições no Brasil e no exterior. Em 2023 foi premiada com a publicação do fotolivro Ilustríssimos, pela editora Porto de Cultura. É membro dos coletivos Women Photograph e Mulheres Luz e co-fundou o duo Paisagens Móveis, em parceria com Bárbara Lissa, com foco em temáticas que envolvem meio ambiente e ecocrítica. Com o duo realizou as individuais Quando o tempo dura uma tonelada e Três Momentos de um Rio, publicou os fotolivros Três Momentos de um Rio, pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, e Óris, pela editora Selo Turvo. Também com o duo foi selecionada pelo 8º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.

Sexta-feira (14/3)

Todo mundo tem uma história para contar
Erika Tambke (RJ)

A fotografia popular é um movimento que documenta espaços e eventos populares a partir de uma intimidade dos autores com seus temas. Desenvolver uma relação de confiança e cumplicidade com as pessoas retratadas é central como metodologia. A fotografia é um grande meio para se contar e viver uma história, porque a elaboração de ensaios fotográficos se impulsiona a partir de um aprofundamento de relações e emoções, o que incorpora camadas à narrativa. Não há pressa para se contar uma história, há muitas idas e vindas. Vamos falar desse processo e apresentar exemplos da fotografia popular.

Foto: Ratão Diniz


Palestrante

Erika Tambke é fotógrafa e professora, doutora em Mídias e Mediações Socioculturais na Escola de Comunicação/UFRJ e mestre em Latin American Cultural Studies/Visual Culture pela Birkbeck/University of London. Coordenadora do Programa Imagens do Povo/Observatório de Favelas (2023). Nomeadora do World Press Photo entre 2018 e 2021, participou do júri do Prix Photo da Aliança Francesa em 2020. Pesquisa a Fotografia Popular e é membro do Coletivo Favela em Foco e Fotografia Periferia e Memória.

Quando a caixa da noite foi aberta
Mitsy Queiroz (PE)

Apresentação de um ensaio que entrelaça os saberes e a cosmologia da pesca artesanal com os processos criativos da fotografia analógica. Por meio de paisagens que evocam diferentes experiências do tempo, a reflexão percorre os fenômenos da espera como devir e as percepções sobre a imprevisibilidade das imagens – ou das criaturas – que emergem das profundezas dessa “caixa preta” que é o mar.

Foto: Mitsy Queiroz


Palestrante

Mitsy Queiroz é artista e pesquisador em processos experimentais de fotografia analógica, interessado na opacidade da imagem latente e seus mistérios, encoraja as afirmações do erro como fenômenos de ruptura e gestão da liberdade. Suas práticas refletem sobre a percepção do tempo, a transformação dos corpos e a conexão com a pesca artesanal. Atualmente, observa a relação de parentesco entre peixes e gentes, os movimentos de migração e a manifestação dos encantamentos entre as águas e a terra. Mitsy Queiroz é Mestre em processos criativos e sua abordagem multidisciplinar se destaca pelo envolvimento em práticas educativas e projetos colaborativos. Como artista visual, atua desde 2012, participando de mostras, salões, feiras de arte, programas de comissionamento de obras para galerias de arte e museus nacionais, residências artísticas, projetos de financiamento público e participação em importantes acervos como o da Pinacoteca de São Paulo.

projeções

Quinta-feira (13/3)

Chão, fotografias, Sertão de Lembranças
Afonso Jr. (Recife – PE)  

O céu da boca da noite
Géssica Amorim (Flores – PE)

Quatro Gerações
Guilherme Bergamini (Belo Horizonte – MG)

O Sol Daqui Brilha Amarelo
Henrique Fujikawa (São Paulo – SP)

Ofereço meu retrato como lembrança
JULIANA ARRUDA (São Paulo – SP)

Pó mágico
Paulo Rossi (João Pessoa – PB)

Retrato Oco
PV Ferraz (Recife – PE)

Para Elza, memórias dos nossos afetos
Ulla von Czékus (Salvador – BA)

Viagem in-só-lita
Mariana Almada (Brasília – DF)

Navegantes da Paisagem
viviane piccoli (São Paulo – SP)

Sexta-feira (14/3)

lavagem de cabeça
Alex Hermes (Fortaleza – CE)

Ouricuri
Bruno Lira (Guarabira – PB)

Thalassa
GISA ARAUJO (São Paulo – SP)

Sem folha não tem Orixá
Leila Chandani (Salvador – BA)

Nossos horizontes
Aline Rodrigues (Fortaleza – CE) 

Caderno de Inadequações
Fernando Jorge (Fortaleza – CE)

Hora de Voltar
Fernando Maia da Cunha (Fortaleza – CE)

domesticidade
Ana Elisa Novais (Mariana – MG)

A horse and a delivery man
Diego Oliveira (Anápolis – GO)

Rosa
Sonia Gouveia (São Paulo – SP)

expediente

Coordenação geral  do evento
Eduardo Queiroga
Maria Chaves
Mateus Sá

Produção executiva
Próxima Gestão e Produção Cultural

Coordenação de Produção
Maria Chaves

Equipe de produção
Júlia Almeida
Luana Monteiro
Paloma Lima

Comunicação
Eugênia Bezerra

Design
Zoludesign 

Vídeo
Jacaré Vídeo

Acessibilidade
Com Acessibilidade Comunicacional