Café Pequeno terá lançamentos, projeções e resultado da Ciranda Fotográfica

O Café Pequeno tem clima de confraternização no Pequeno Encontro da Fotografia: é nesse momento que será anunciado o resultado da votação da Ciranda Fotográfica, serão mostradas criações de participantes das oficinas ministradas pelo Coletivo Ciano, Cidade (PE) e pela artista Marina Feldhues (PE), serão exibidas fotografias feitas durante a Expedição Fotográfica e reapresentadas as obras selecionadas para as Projeções. Mas o evento no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), que começa às 18 h, vai além: conta o lançamento dos livros Arquivo, Fotografia e a Carne Negra: um estudo ante-estética de suas (po)éticas implicadas, de Marina Feldhues (PE); Sertão de Lembranças, de José Afonso Jr., Mariana Véras e Leonardo Bastião (PE); e Presenças, e Mergulha e Voa (PE); assim como com a apresentação do projeto Mergulho, de Eliane Velozo (PE); e da videoarte Madonnas e Fridas; obra coletiva fruto de um projeto de Ana Sabiá (SC) vencedor do 17º Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia.

O Mamam fica na Rua da Aurora, 265, Boa Vista. Toda a programação do Pequeno Encontro da Fotografia tem entrada gratuita e o evento conta com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura).

O livro Arquivo, fotografia e a carne negra: um estudo ante-Estética de suas (po)éticas implicadas apresenta reflexões críticas sobre as implicações (po)éticas entre arquivos diversos, a fotografia (como imagens e/ou ferramenta tecnológica) e a carne negra tanto para a ordenação do mundo antinegro, quanto para sua desordem e a emergência de outros mundos (im)possíveis. Os dois primeiros capítulos focam no imaginário e nas ordenações ontoepistemológicas do mundo antinegro. O terceiro capítulo analisa as estratégias (po)éticas de produções artístico-culturais brasileiras contemporâneas, em sua maioria afrodiaspóricas, em suas contribuições (po)éticas para expor as colonialidades ainda vigentes e/ou propor outros modos de existir, pensar e conhecer que exorbitam o imaginário e as ordenações ontoepistemológicas do mundo antinegro. O último capítulo reflete sobre a importância do conhecimento (po)ético que atravessa todo o texto desse livro para notar que arquivo e fotografia podem ser armas de captura ou meios para diversas fugas.

Marina Feldhues nasceu em Olinda (PE) em 1982. Atualmente vive e trabalha entre Recife (PE) e São Paulo (SP). É formada em Administração (UPE) e Fotografia (Unicap). É mestre e doutora em Comunicação (UFPE). Trabalha como professora, pesquisadora, artista, servidora pública e taróloga. Organizou o grupo de estudos público e gratuito Narrativas Anticoloniais, entre 2019 e 2024. É autora dos livros Catálogo (2019) e Fotolivros: (in)definições, histórias, experiências e processos de produção (2021), do livro de entrevistas com artistas E Se? (2023) e dos livros de artista Minha Foto Preferida (2022), O feliz livro das pretas (2023) e Viagem ao Brasil 1865-1866: a desordem da carne (2024). Em 2024, foi vencedora do prêmio aquisição do 13º Diário Contemporâneo de Fotografia de Belém (PA) com a série de fotocolagens A desordem da Carne. Em 2023, foi vencedora do POY-LATAM, na categoria Ressignificar Arquivos, e recebeu menção honrosa do BIFA (Budapest International Foto Awards), na categoria Fine-Art Collage, e do Student World Impact Film Festival com o fotofilme Escala Humana. A pesquisa teórico-artística mais recente dela foi sobre as (po)éticas implicadas entre arquivo, fotografia e a carne negra.

Se a arquitetura é um modo de pensar, como dizia Le Corbusier, o que revelam as formas que nos cercam sobre quem somos? O fotolivro artesanal Presenças, com 80 páginas, é um exercício de arqueologia visual. Através da lente, Mergulha e Voa busca decifrar a própria identidade não no espelho, mas nos vestígios do mundo: na dureza do concreto, na memória das paredes e nos objetos que sobrevivem ao tempo. Entre o que existiu e o que permanece, cada disparo é uma tentativa de reconhecer o humano através de suas obras. É um convite para olhar o entorno e perceber que tudo o que existe – e o que deixou de existir – é, no fundo, um fragmento do que somos.

Mergulha e Voa é natural de Vitória de Santo Antão (PE). É bacharel em Comunicação Social com habilitação em Fotografia pela AESO-Barros Melo. Atua como fotógrafa e artista visual desde 2014, utilizando o universo da imagem como meio de expressão do que a atravessa e afeta. Seu trabalho parte da experiência sensível com o corpo, a memória e o território, tensionando os limites entre arte e vida, documento e ficção, lembrança e imaginação. Em sua poética visual, objetos domésticos e elementos orgânicos ganham destaque como disparadores de memória,
sensações e narrativas íntimas. Atualmente vem fazendo o lançamento do seu primeiro fotolivro intitulado Presenças, e itinerando com sua primeira exposição individual, Existências, que já passou por Pernambuco, Paraíba e o Rio Grande do Norte.

Sertão de Lembranças é um fotolivro que nasce de uma pesquisa de linguagem em fotografia desenvolvida entre 2021 e 2024 no Sertão do Pajeú, Pernambuco. Objetiva criar sentidos entre a noção de lembrança elaborada com fotografias familiares e da poesia, através da interação entre o fotógrafo José Afonso Jr., a poetisa Mariana Véras e o poeta Leonardo Bastião, precisamente no lugar de enraizamento da poesia no Sertão do Pajeú, traço fundador da cultura da região. As fotografias atuaram como um mote visual, que foi interpretado por Mariana Véras lançando mão da liberdade poética de criar a partir das imagens. José Afonso explica que “o contrário também aconteceu, às vezes lia um poema e buscava interpretá-lo em fotografias, encontrando equivalências na paisagem, nos vestígios, na relação das pessoas com o tempo, o território”. Uma galeria virtual de fotografias combinadas com poemas, textos e um vídeo com acessibilidade em que o fotógrafo apresenta a concepção do processo criativo estão disponíveis no site do projeto Sertão de Lembranças, financiado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura).

José Afonso Jr. é fotógrafo, professor e pesquisador de Comunicação na UFPE. Mestre (2000) e doutor (2006) pela Universidade Federal da Bahia, e pós-doutor (2011), pela Universidade Pompeu Fabra, Barcelona. Atua em projetos editoriais e curatoriais além de coordenar grupo de pesquisas na área de fotografia, com especial interesse na imagem documental.

Sonho, de Eliane Velozo

O Projeto Mergulho é um apanhado de possíveis causas do covid-19 e é composto de 21 trabalhos, cada um contendo uma foto de um objeto de sua casa, uma foto de arquivo e um poema. Portadora de deficiência visual, com perda progressiva da visão, este é o último projeto que Eliane Velozo teve autonomia total de utilização do programa Photoshop.

Eliane Velozo é formada em Comunicação Visual pela UFPE e mestre em Belas Artes pela Universidade de Illinois, Chicago (EUA). Já expôs em várias capitais do Brasil e no exterior (EUA, Portugal, Itália e Cabo Verde). Seu projeto Sentipensares, inspirado na obra do escritor Eduardo Galeano foi recentemente exposto na galeria Massangana, no Recife.

Valéria Mendonça

A videoarte Madonnas e Fridas foi elaborada como uma ação artística e colaborativa integrante do projeto Madonnas e Fridas: arte e maternidade como agenciamentos políticos, de Ana Sabiá. Por meio de uma convocatória pública, foram selecionados os trabalhos que compõem a obra, um caleidoscópio de olhares e sentidos em torno de maternidades críticas e fotografia através das experiências poéticas de 50 mulheres artistas brasileiras.

Selecionadas: Ale Baldissarelli, Ana Flor, Ana Musova, Andrea Bernardelli, Cecília Carvalho, Chris Bueno, Clarissa Borges, Coletivo Lumaterna, Cristal Luz, Cynthia Barros, Dani De Moraes, Daniela Balestrin, Daniela Petrucci, Daniela Torrente, Di Menegazzi, Elisa Elsie, Fabi Salomao, Fernanda Klee, Ilana Bar, Irmina Walczak, Jana Cunha, Jennifer Cabral, Karen Caetano, Laura Aidar, Leticia Valverdes, Lia de Paula, Luciana Whitaker, Luiza Kons, Madame Pagu, Malu Teodoro, Mari Queiroz, Marian Starosta, Mariana Hauck, Mariana Machado, Marina Luna, Marina S. Alves, Marisi Bilini, Marta Suzi, Melissa Flores, Monique Olive, Nana Moraes, Patricia Dias, Belaestilosa, Patrícia Goùvea, Paula Huven, Priscila Cunaccia, Sandra Resende, Tami Orlando, Tatiana Reis, Valéria Mendonça e Zuleika de Souza. 

Ficha técnica

Concepção, roteiro e filmagem: Ana Sabiá

Trilha sonora: Gaia Wilmer

Edição e montagem: Willian Bazzo