contrafluxo, de Amanda Canhestro

o câncer fez parte de mim
o contato com a morte,
de algum modo me trouxe à vida

aqui, erro e acerto coexistem
vivo a experiência de poder sentir
sair da apneia

sem sedação

revelar olhos curiamorosos
diante do ordinário, nadar

O projeto contrafluxo, da artista Amanda Canhestro (MG), é uma das duas obras vencedoras da Ciranda Fotográfica na 11ª edição do Pequeno Encontro da Fotografia. O resultado da votação do público foi anunciado no sábado (25/4), durante o Café Pequeno. A seguir, apresentaremos esse trabalho aqui no site, o que faz parte do prêmio oferecido pelo festival junto com cinco impressões fine art no tamanho A4 feitas pelo ADI – Atelier de Impressão, que é um dos apoiadores do evento.

“Demorou muitos anos para que enfim eu tivesse coragem de mexer em lugares que até então haviam ficado num passado distante. Ainda que passadas, as experiências vividas ali me trouxeram para a fotografia hoje. Me movem a acreditar na necessidade de falar do tempo e da complexa simplicidade do viver”, revela a artista.

Amanda trabalha neste projeto desde 2021. A artista, que co1eciona imagens/lembretes, explica: “Entre fotografias banais outras bem pensadas porém simples, contrafluxo pretende ser um pequeno livro onde o/a/el leitor/a/e ao folhear possa navegar entre o ‘nossa eu sou capaz de fazer uma foto como esta’ e o  ‘porque esta foto se apresenta aqui?’. Ainda que haja técnica na produção de muitas das imagens intenção não é mostrar uma fotografia inatingível (muito pelo contrário) mas complexificar uma narrativa a partir da apresentação das imagens ao se demorar no experienciá-las”.

Foto: Bia Braz (@bia___braz)

Amanda Canhestro é uma artista visual que tem como principal ferramenta a fotografia. Suas séries autorais dizem de vivências e reflexões a partir das suas relações e cotidiano. Já em seu trabalho comercial, é convidada a documentar pessoas em seus movimentos pela vida.

Participou em 2025 da exposição coletiva Corporeidades no Festival Internacional de Fotografia El Ojo Salvaje em Assunção no Paraguai. Em 2023, participou da exposição coletiva Lampejos na Escuridão no Festival Foto em Pauta. Conduziu a oficina “Tomar Reparo na Própria Pupila” no Festival A Outra Margem. Em 2020, fez parte da criação e organização do projeto do Fotografias por Minas.

Em sua formação, conta com cursos livres e disciplinas isoladas oferecidos por instituições como: UFMG, UEMG, Itaú Cultural e Leica Gallery. Em 2024, integrou o grupo de residentes do Núcleo Nômade de Fotografia pelo Prémio Décio Noviello e para além da fotografia, Amanda colabora em obras literárias e audiovisual.

No Instagram: @amandacanhestro