“O dia a dia da aldeia Ulupuwene, no Alto Xingu, Mato Grosso, é cheio de surpresas. Entre as atividades do cotidiano do povo Waujá estão o cultivo e preparo dos alimentos, a construção e reforma das casas de palha, os banhos e a lavagem de roupas no rio, as rezas, os rituais, o futebol do fim de tarde. Mas em breve será realizada a grande festa tradicional das mulheres, na qual vão se encontrar os Waujá de várias aldeias. Além de cantos e danças, haverá um campeonato de luta entre as representantes das aldeias. Na hora mais quente do dia, as mulheres mais experientes de Ulupuwene, que já foram campeãs, ensinam às mais novas. O treino é de muita força e resistência, mas também é um momento de socialização e diversão entre mulheres e jovens.”
O ensaio Ulupuwene, A luta da mulheres, da documentarista Amandine Goisbault (PE), é uma das duas obras vencedoras da Ciranda Fotográfica na 11ª edição do Pequeno Encontro da Fotografia. O resultado da votação do público foi anunciado no sábado (25/4), durante o Café Pequeno. A seguir, apresentaremos esse trabalho aqui no site, o que faz parte do prêmio oferecido pelo festival junto com cinco impressões fine art no tamanho A4 feitas pelo ADI – Atelier de Impressão, que é um dos apoiadores do evento.
A série de 16 fotografias feitas durante um treino de luta das mulheres do povo Waujá, na aldeia Ulupuwene (MT) é resultado da imersão que a fotógrafa viveu durante um mês na aldeia. Amandine afirma que as imagens capturam um pouco da essência do momento: “Um treino rigoroso em pleno sol, na areia quente do pátio, mas também uma boa oportunidade para ocupar a casa dos homens no centro da aldeia, dar risadas e se divertir entre mulheres”.
“A luta huka huka é praticada tanto por homens quanto por mulheres em diversos povos indígenas do Xingu, incluindo os Waujá. Embora muitas vezes associada à força masculina no ritual Kuarup, a luta corporal é uma tradição cultural que também envolve mulheres e jovens”, explica a fotógrafa e documentarista, que completa: “O objetivo da luta não é ferir o adversário, mas sim demonstrar superioridade técnica e força ao fazer o oponente tocar o chão com as costas, joelhos ou nádegas. As lutadoras começam ajoelhadas e o confronto é rápido. É proibido socar ou chutar. Expressão cultural corporal coletiva, é um ritual que envolve música, dança e pintura corporal, reforçando a identidade e a coesão social. Para as mais novas, é importante aprender o huka huka para manter vivas as tradições ancestrais”.
Documentarista e produtora cultural, Amandine atua no audiovisual como diretora, editora, produtora, fotógrafa. Na direção, assina documentários autorais como Uma força extraordinária (2019), vencedor do Concurso de Documentários da TV Câmera (2020), melhor filme no Festival O Cubo (2021), Melhor fotografia, melhor direção e melhor curta-metragem documental na Mostra MICINE (2022). Como montadora, assina mais de vinte filmes documentários, entre curtas, médias e longas-metragens, vários dos quais ganharam prêmios de destaque em festivais nacionais e internacionais. Ganhou o prêmio de melhor montagem no Festival de Brasília pelo longa O mestre e o divino, em 2013. Coordena o projeto formativo FERA – Feminismo e Equidade para Reinventar o Audiovisual (www.feraaudiovisual.com) e o projeto RAMA – Rede Afetiva de Mães Artistas (www.rama.press).
No Instagram: @amandine.goisbault
















